terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Capítulo 2 : Medo de gente

Fiquei a observando , estava tão tensa e feliz ao mesmo tempo. Hannah estava fixando seu olhar diretamente no cavalo grande , marrom e bonito de nome Lion. Suas feições era rudes, mas me traziam , de alguma forma , conforto. Os olhos azuis lembravam-me chuva , chuva refrescante , chuva que ,nunca de fato ,senti .

Sentia vontade tocar em seus cabelos , mas não podia , não conseguia. Fiquei só olhando ela. Então , ouvi um estrondo assustador , mas era apenas a porta se abrindo e batendo com força na parede. Hannah também se assustou , e em um pulo olhou para conferir quem estava ali. Era um senhor encharcado de água acompanhado com o irmão de Hannah , igualmente molhado.
"Venha , Hannah ! Venha embora para casa, agora!"- Disse o homem se aproximando. Quando pude vê-lo melhor , percebi que era o mesmo homem que vivia trabalhando nos pastos e nos campos daquela fazenda, provavelmente o patriarca da família.
"Mas , pai..."- Hannah disse, tristonha.
"Nada de 'mas' , venha logo para casa!"- Disse o homem , e Hannah obedeceu. Felipe estava calado olhando para Hannah.

Os três saíram do estábulo , deixando-o completamente escuro ( pois haviam desligado as luzes), e me deixando a sós , com os cavalos. Pensei em ficar um pouco mais , mas recebi um chamado , mais um serviço, que ótimo. Era um chamado vindo de não tão longe dali. Uma mulher perdera a vida em um parto.  Mas a criança , que estava viva, era o sinal  e a mais suprema prova que eu não atuo sozinha . Olha , eu até sou importante ! Sem mim , a vida jamais se renovaria.

No dia seguinte , me deu uma vontade de ir conferir se Hannah ( custei a aprender seu nome , afinal , ela gostava de cavalos! ) tinha ido aprender a cavalgar . Mas quando cheguei em frente a fazenda, não encontrei nem sinal de ninguém da família de Hannah. Andei um pouco mais direcionando meus olhares a qualquer pista ou rastro de alguém que tivesse ligação a Hannah. Até que vi Felipe vestido com um fardamento escolar e Hannah , com roupas casuais chorando ao pé de Felipe. Me aproximei deles.

"Por favor ! Me ensine a ler ! Por favor !"- Dizia Hannah em meio a soluços.
"Hannah , você é doente, não vai aprender nunca a ler. Me solte , sua louca !"- Disse Felipe , aquelas palavras deveriam machucar tanto o pobre coração de Hannah.
"Eu não sou doente !" - Falou ela , afoita.
"Hannah , tenho mais o que fazer!"- Disse Felipe , indo embora para dentro de casa.
Hannah sentou-se ao em baixo de uma árvore e começou a chorar. Me senti altamente triste pela infelicidade dela. De repente, Hannah , levanta a cabeça , seu olhar assustado rodeia o campo vazio em busca de algo que me era desconhecido.  Distante vinha um grupo de jovens risonhos em direção a Hannah. Conseguia perceber que ela estava com medo , só não sabia o motivo.

Os jovens chegaram mais perto e Hannah os olhou com medo , então , abaixou a cabeça. Vi que um dos rapazes ia dizer algo a Hannah , mas uma mulher chegou antes disso.
"Minha filha ! Minha filha!" - Disse quem parecia ser a mãe de Hannah. Mas Hannah permaneceu do mesmo jeito .
"Minha querida, sou eu , sua mãe!"- Disse a senhora. Então Hannah olhou para mãe , desconfiada, e correu para seus braços. A mãe de Hannah direcionou um olhar raivoso para os jovens e foi indo embora em direção para a  sua casa.

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